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Jaguariúna, SP, Brazil
Advogado e contabilista em Jaguariúna, SP. Sócio convidado da ACRIMESP - Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo, desde 11 de agosto de 1997, título de cidadão jaguariunense pelo Decreto Legislativo 121/1997 e membro titular do CONPHAAJ - Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico de Jaguariúna, nos biênios 2011 a 2012 e 2017 a 2018,

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

TRANSTORNO DE HUMOR BIPOLAR

BipolarTranstornos relacionados por semelhança ou classificação
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O que é?CaracterísticasTiposFase ManíacaFase DepressivaExemplo
SintomasCausasTratamentoGeneralidades

O que é?O transtorno afetivo bipolar era denominado até bem pouco tempo de psicose maníaco-depressiva. Esse nome foi abandonado principalmente porque este transtorno não apresenta necessariamente sintomas psicóticos, na verdade, na maioria das vezes esses sintomas não aparecem. Os transtornos afetivos não estão com sua classificação terminada. Provavelmente nos próximos anos surgirão novos subtipos de transtornos afetivos, melhorando a precisão dos diagnósticos. Por enquanto basta-nos compreender o que vem a ser o transtorno bipolar. Com a mudança de nome esse transtorno deixou de ser considerado uma perturbação psicótica para ser considerado uma perturbação afetiva.A alternância de estados depressivos com maníacos é a tônica dessa patologia. Muitas vezes o diagnóstico correto só será feito depois de muitos anos. Uma pessoa que tenha uma fase depressiva, receba o diagnóstico de depressão e dez anos depois apresente um episódio maníaco tem na verdade o transtorno bipolar, mas até que a mania surgisse não era possível conhecer diagnóstico verdadeiro. O termo mania é popularmente entendido como tendência a fazer várias vezes a mesma coisa. Mania em psiquiatria significa um estado exaltado de humor que será descrito mais detalhadamente adiante.A depressão do transtorno bipolar é igual a depressão recorrente que só se apresenta como depressão, mas uma pessoa deprimida do transtorno bipolar não recebe o mesmo tratamento do paciente bipolar.

CaracterísticasO início desse transtorno geralmente se dá em torno dos 20 a 30 anos de idade, mas pode começar mesmo após os 70 anos. O início pode ser tanto pela fase depressiva como pela fase maníaca, iniciando gradualmente ao longo de semanas, meses ou abruptamente em poucos dias, já com sintomas psicóticos o que muitas vezes confunde com síndromes psicóticas. Além dos quadros depressivos e maníacos, há também os quadros mistos (sintomas depressivos simultâneos aos maníacos) o que muitas vezes confunde os médicos retardando o diagnóstico da fase em atividade.

Tipos Aceita-se a divisão do transtorno afetivo bipolar em dois tipos: o tipo I e o tipo II. O tipo I é a forma clássica em que o paciente apresenta os episódios de mania alternados com os depressivos. As fases maníacas não precisam necessariamente ser seguidas por fases depressivas, nem as depressivas por maníacas. Na prática observa-se muito mais uma tendência dos pacientes a fazerem várias crises de um tipo e poucas do outro, há pacientes bipolares que nunca fizeram fases depressivas e há deprimidos que só tiveram uma fase maníaca enquanto as depressivas foram numerosas. O tipo II caracteriza-se por não apresentar episódios de mania, mas de hipomania com depressão.Outros tipos foram propostos por Akiskal, mas não ganharam ampla aceitação pela comunidade psiquiátrica. Akiskal enumerou seis tipos de distúrbios bipolares.

Fase maníacaTipicamente leva uma a duas semanas para começar e quando não tratado pode durar meses. O estado de humor está elevado podendo isso significar uma alegria contagiante ou uma irritação agressiva. Junto a essa elevação encontram-se alguns outros sintomas como elevação da auto-estima, sentimentos de grandiosidade podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes e capacidades únicas como telepáticas por exemplo. Aumento da atividade motora apresentando grande vigor físico e apesar disso com uma diminuição da necessidade de sono. O paciente apresenta uma forte pressão para falar ininterruptamente, as idéias correm rapidamente a ponto de não concluir o que começou e ficar sempre emendando uma idéia não concluída em outra sucessivamente: a isto denominamos fuga-de-idéias.. O paciente apresenta uma elevação da percepção de estímulos externos levando-o a distrair-se constantemente com pequenos ou insignificantes acontecimentos alheios à conversa em andamento. Aumento do interesse e da atividade sexual. Perda da consciência a respeito de sua própria condição patológica, tornando-se uma pessoa socialmente inconveniente ou insuportável. Envolvimento em atividades potencialmente perigosas sem manifestar preocupação com isso. Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia o que não significa uma mudança de diagnóstico, mas mostra um quadro mais grave quando isso acontece.

Fase depressivaÉ de certa forma o oposto da fase maníaca, o humor está depressivo, a auto-estima em baixa com sentimentos de inferioridade, a capacidade física esta comprometida, pois a sensação de cansaço é constante. As idéias fluem com lentidão e dificuldade, a atenção é difícil de ser mantida e o interesse pelas coisas em geral é perdido bem como o prazer na realização daquilo que antes era agradável. Nessa fase o sono também está diminuído, mas ao contrário da fase maníaca, não é um sono que satisfaça ou descanse, uma vez que o paciente acorda indisposto. Quando não tratada a fase maníaca pode durar meses também.

Exemplo de como um paciente se sente...Ele se sente bem, realmente bem..., na verdade quase invencível. Ele se sente como não tendo limites para suas capacidades e energia. Poderia até passar dias sem dormir. Ele está cheio de idéias, planos, conquistas e se sentiria muito frustrado se a incapacidade dos outros não o deixasse ir além. Ele mal consegue acabar de expressar uma idéia e já está falando de outra numa lista interminável de novos assuntos. Em alguns momentos ele se aborrece para valer, não se intimida com qualquer forma de cerceamento ou ameaça, não reconhece qualquer forma de autoridade ou posição superior a sua. Com a mesma rapidez com que se zanga, esquece o ocorrido negativo como se nunca tivesse acontecido nada. As coisas que antes não o interessava mais lhe causam agora prazer; mesmo as pessoas com quem não tinha bom relacionamento são para ele amistosas e bondosas.

Sintomas (maníacos):Sentimento de estar no topo do mundo com um alegria e bem estar inabaláveis, nem mesmo más notícias, tragédias ou acontecimentos horríveis diretamente ligados ao paciente podem abalar o estado de humor. Nessa fase o paciente literalmente ri da própria desgraça.Sentimento de grandeza, o indivíduo imagina que é especial ou possui habilidades especiais, é capaz de considerar-se um escolhido por Deus, uma celebridade, um líder político. Inicialmente quando os sintomas ainda não se aprofundaram o paciente sente-se como se fosse ou pudesse ser uma grande personalidade; com o aprofundamento do quadro esta idéia torna-se uma convicção delirante. Sente-se invencível, acham que nada poderá detê-las.Hiperatividade, os pacientes nessa fase não conseguem ficar parados, sentados por mais do que alguns minutos ou relaxar.O senso de perigo fica comprometido, e envolve-se em atividade que apresentam tanto risco para integridade física como patrimonial.O comportamento sexual fica excessivamente desinibido e mesmo promíscuo tendo numerosos parceiros num curto espaço de tempo.Os pensamentos correm de forma incontrolável para o próprio paciente, para quem olha de fora a grande confusão de idéias na verdade constitui-se na interrupção de temas antes de terem sido completados para iniciar outro que por sua vez também não é terminado e assim sucessivamente numa fuga de idéias.A maneira de falar geralmente se dá em tom de voz elevado, cantar é um gesto freqüente nesses pacientes.A necessidade de sono nessa fase é menor, com poucas horas o paciente se restabelece e fica durante todo o dia e quase toda a noite em hiperatividade.Mesmo estando alegre, explosões de raiva podem acontecer, geralmente provocadas por algum motivo externo, mas da mesma forma como aparece se desfaz. A fase depressivaNa fase depressiva ocorre o posto da fase maníaca, o paciente fica com sentimentos irrealistas de tristeza, desespero e auto-estima baixa. Não se interessa pelo que costumava gostar ou ter prazer, cansa-se à-toa, tem pouca energia para suas atividades habituais, também tem dificuldade para dormir, sente falta do sono e tende a permanecer na cama por várias horas. O começo do dia (a manhã) costuma ser a pior parte do dia para os deprimidos porque eles sabem que terão um longo dia pela frente. Apresenta dificuldade em concentra-se no que faz e os pensamentos ficam inibidos, lentificados, faltam idéias ou demoram a ser compreendidas e assimiladas. Da mesma forma a memória também fica prejudicada. Os pensamentos costumam ser negativos, sempre em torno de morte ou doença. O apetite fica inibido e pode ter perda significativa de peso.

GeneralidadesEntre uma fase e outra a pessoa pode ser normal, tendo uma vida como outra pessoa qualquer; outras pessoas podem apresentar leves sintomas entre as fases, não alcançando uma recuperação plena. Há também os pacientes, uma minoria, que não se recuperam, tornando-se incapazes de levar uma vida normal e independente.A denominação Transtorno Afetivo Bipolar é adequada? Até certo ponto sim, mas o nome supõe que os pacientes tenham duas fases, mas nem sempre isso é observado. Há pacientes que só apresentam fases de mania, de exaltação do humor, e mesmo assim são diagnosticados como bipolares. O termo mania popularmente falando não se aplica a esse transtorno. Mania tecnicamente falando em psiquiatria significa apenas exaltação do humor, estado patológico de alegria e exaltação injustificada. O transtorno de personalidade, especialmente o borderline pode em alguns momentos se confundir com o transtorno afetivo bipolar. Essa diferenciação é essencial porque a conduta com esses transtornos é bastante diferente.

Qual a causa da doença?A causa propriamente dita é desconhecida, mas há fatores que influenciam ou que precipitem seu surgimento como parentes que apresentem esse problema, traumas, incidentes ou acontecimentos fortes como mudanças, troca de emprego, fim de casamento, morte de pessoa querida.Em aproximadamente 80 a 90% dos casos os pacientes apresentam algum parente na família com transtorno bipolar.

Como se trata?O lítio é a medicação de primeira escolha, mas não é necessariamente a melhor para todos os casos. Freqüentemente é necessário acrescentar os anticonvulsivantes como o tegretol, o trileptal, o depakene, o depakote, o topamax.Nas fases mais intensas de mania pode se usar de forma temporária os antipsicóticos. Quando há sintomas psicóticos é quase obrigatório o uso de antipsicóticos. Nas depressões resistentes pode-se usar com muita cautela antidepressivos. Há pesquisadores que condenam o uso de antidepressivo para qualquer circunstância nos pacientes bipolares em fase depressiva, por causa do risco da chamada "virada maníaca", que consiste na passagem da depressão diretamente para a exaltação num curto espaço de tempo.O tratamento com lítio ou algum anticonvulsivante deve ser definitivo, ou seja, está recomendado o uso permanente dessas medicações mesmo quando o paciente está completamente saudável, mesmo depois de anos sem ter problemas. Esta indicação se baseia no fato de que tanto o lítio como os anticonvulsivantes podem prevenir uma fase maníaca poupando assim o paciente de maiores problemas. Infelizmente o uso contínuo não garante ao paciente que ele não terá recaídas, apenas diminui as chances disso acontecer. Pacientes hipertensos sem boa resposta ao tratamento de primeira linha podem ainda contar com o verapamil, uma medicação muito usada na cardiologia para controle da hipertensão arterial que apresenta efeito anti-maníaco. A grande desvantagem do verapamil é ser incompatível com o uso simultâneo do lítio, além da hipotensão que induz nos pacientes normotensos
Última Atualização: 15-10-2004 Ref. Bibliograf: Liv 01 Liv 19 Liv 03 Liv 17 Liv 13 Psychiatry Research 2001; 103: 229-235Age of Onset of Bipolar II Derpessive Mixed StateFranco Benazzi

MATÉRIA PUBLICADA NO SITE DO JORNAL “O GLOBO” DE 09/12/05:


08/12/2005 - 19h03mDistúrbio bipolar pode colocar pacientes em situações de perigoGlobo Online
RIO - A morte do americano Rigoberto Alpizar, alvejado por agentes federais no Aeroporto Internacional de Miami porque, segundo autoridades, teria dito que tinha uma bomba, fez um termo da psiquiatria virar tema de bate-papo: o distúrbio bipolar. Segundo parentes, a vítima sofria do mal, o que poderia explicar seu comportamento alterado dentro do avião.
Mas, afinal, o que é o distúrbio bipolar? Seria a doença capaz de fazer o paciente colocar em risco a própria vida - dizendo para um policial que carregava uma bomba?

O que é

A forma clássica do transtorno (tipo I), se caracteriza basicamente por episódios de mania, que não é a mania de fazer alguma coisa.
- Trata-se de crises em que a pessoa apresenta extrema euforia, agitação e, entre os sintomas, fica com uma elevada autoconfiança e sensação de poder. Pensa ser capaz de coisas que os outros não são, como saltar de um prédio para outro, por exemplo, se expondo a situações de perigo sem ter essa noção - explicou o psiquiatra Antonio Egídio Nardi, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os episódios de mania incluem, além da euforia (que não necessariamente significa alegria), exaltação do humor, hiperatividade, loquacidade exagerada, diminuição da necessidade de sono, exacerbação da sexualidade e comprometimento do senso crítico, irritabilidade, agressividade e incapacidade de controlar adequadamente os impulsos. Esses episódios aparecem em alternância a períodos de depressão e momentos de normalidade.

Mente

Durante um episódio de mania, é comum haver agilidade de pensamento, que flui de forma mais rápida, mas, embora haja aumento da atividade, a pessoa não consegue ordenar as ações para alcançar objetivos precisos. Em casos mais graves, o paciente pode apresentar delírios de poder ou de grandeza, resultado da exaltação do humor, ou mania de perseguição. Os transtornos bipolares também estão associados a algumas alterações funcionais do cérebro, que possui áreas fundamentais para o processamento de emoções, motivação e recompensas.
- O paciente pode ter comportamento impulsivo achando que tudo vai dar certo, que tem tudo sob controle. Sua auto-estima e sensação de poder ganham níveis elevadíssimos - completou Nardi.
Perigo
É comum nos episódios de mania o paciente se envolver em atividades potencialmente perigosas sem se preocupar com isso. Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia, em que pode haver delírio de perseguição e alucinações, o que significaria um quadro mais grave da doença.

- A pessoa realmente perde a noção dos limites. Já tive um paciente que durante a fase maníaca subia morro para enfrentar bandidos, para chamá-los para a briga - contou o psiquiatra Marco Antonio Brasil, também professor da UFRJ e ex-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Motivo

Os episódios maníacos costumam ter início súbito, com rápida progressão dos sintomas. Normalmente, os primeiros episódios ocorrem associados a fatores de estresse. Em geral, os fatores genéticos e biológicos podem determinar como o indivíduo reage aos fatores de estresse psicológico e social, mantendo a normalidade ou desencadeando doença. O transtorno bipolar tem um forte peso genético.

- O fato é que ainda não se sabe exatamente o que desencadeia uma crise maníaca, podem ser fatores externos ou não. A pessoa está normal e, de repente, começa a agir de modo diferente e esse comportamento vai se alterando progressivamente - explicou Marco Antonio Brasil.
Outras formas de manifestação

- Além da manifestação mais clássica da doença, que é o tipo I, foram aparecendo subtipos do distúrbio, o que ajuda a explicar o aumento de casos, já que o distúrbio bipolar se enquadra em diferentes quadros de manifestação. O tipo I, porém, é o mais grave - explica Nardi.
Um dos subtipos é a hipomania, em que também há um estado de euforia e expansão, porém de forma muito mais suave. Um episódio hipomaníaco, por exemplo, não é suficientemente grave para causar prejuízo no trabalho ou nas relações sociais. Há os episódios mistos, quando em um mesmo dia há alternância entre depressão e mania - em poucas horas a pessoa pode chorar, se sentir um zero a esquerda, e logo depois se tornar eufórica e com elevada auto-estima. Há ainda o transtorno ciclotímico, ou ciclotimia, que se caracteriza pela alteração crônica e flutuante do humor. Sintomas maníacos e depressivos se alternam, mas não seriam suficientemente graves nem ocorreriam em quantidade suficiente para se ter certeza de se tratar de depressão e de mania, respectivamente. Por isso, muitas vezes é confundido com o "jeito de ser da pessoa", marcada por instabilidade do humor.

Diagnóstico

O diagnóstico de distúrbio bipolar deve ser feito por um psiquiatra e ter como base os sintomas do paciente. Não há exames de imagem ou laboratoriais que evidenciem o diagnóstico. Muitas vezes o diagnóstico correto só será feito depois de muitos anos.
- No caso do americano, fica difícil avaliar se ele estava realmente tendo uma crise e o que teria dito ao policial - comentou Nardi. - Mas o fato é que o distúrbio tem diagnóstico preciso e, se uma pessoa diz estar com uma bomba, fica praticamente impossível para um policial identificar se ele é um paciente com esta doença - opinou.
- É muito difícil identificar um paciente porque muitas pessoas têm um comportamento semelhante aos vistos nos episódios maníacos, porém em grau menor, que não oferece risco e não é patológico - completou Marco Antonio Brasil. - Mas uma coisa é fato, quando alguém impõe limites ao que o paciente quer fazer durante uma crise, ele fica extremamente irritado e faz coisas impensadas, como desobedecer uma ordem policial.

Incidência

Os casos de distúrbios do humor vêm aumentando, talvez porque hoje as pessoas estão submetidas a mais fatores de estresse, dormindo menos e consumindo mais substâncias lícitas e ilícitas que interferem no humor.
- Estimativas indicam que o tipo I atinge 0,5% da população, enquanto os subtipos, que são mais comuns, podem atingir de 6% a 7% da população - afirmou Nardi.

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